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Evinis Talon | Advogado Criminalista

STJ: movimentações financeiras incompatíveis não justificam prisão preventiva

25/06/2026

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STJ: movimentações financeiras incompatíveis não justificam prisão preventiva

Em acórdão julgado em 15 de abril de 2026, a Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), sob a relatoria do Reynaldo Soares da Fonseca, negou provimento ao agravo regimental no recurso em habeas corpus n. 218.837/BA, mantendo a substituição da prisão preventiva por medidas cautelares diversas.

No caso, o colegiado entendeu que a incompatibilidade entre a renda declarada e as movimentações financeiras identificadas em RIF constitui elemento apto a demonstrar indícios de autoria e materialidade dos crimes investigados, mas não é suficiente, por si só, para justificar a prisão preventiva.

Confira a ementa relacionada:

AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EM HABEAS CORPUS. ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA. LAVAGEM DE CAPITAIS. PRISÃO PREVENTIVA. ART. 312 DO CPP. FUNDAMENTAÇÃO CONCRETA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DO PERICULUM LIBERTATIS. MOVIMENTAÇÕES FINANCEIRAS INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DECLARADA. ELEMENTO RELATIVO À MATERIALIDADE. INSUFICIÊNCIA, POR SI SÓ, PARA JUSTIFICAR A MEDIDA EXTREMA. AUSÊNCIA DE PAPEL DE LIDERANÇA. MEDIDAS CAUTELARES DIVERSAS. ART. 319 DO CPP. ADEQUAÇÃO E SUFICIÊNCIA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. A prisão preventiva, medida de natureza excepcional, exige fundamentação concreta e individualizada quanto à existência de risco atual à ordem pública, à instrução criminal ou à aplicação da lei penal, nos termos do art. 312 do Código de Processo Penal. 2. A discrepância entre a renda declarada e as movimentações financeiras identificadas em Relatório de Inteligência Financeira constitui elemento indicativo da materialidade e de indícios de autoria, mas não demonstra, por si só, o periculum libertatis apto a justificar a custódia cautelar. 3. Ausente demonstração concreta de risco de reiteração delitiva ou de interferência na colheita probatória, especialmente quando o investigado não ocupa posição de liderança na organização criminosa e a persecução penal já se encontra em fase processual. 4. Nos termos dos arts. 282, § 6º, e 319 do Código de Processo Penal, a prisão preventiva deve ser substituída por medidas cautelares diversas quando estas se mostrarem adequadas e suficientes para resguardar a ordem pública e o regular andamento do feito. 5. Agravo regimental não provido. (AgRg no RHC n. 218.837/BA, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 15/4/2026, DJEN de 22/4/2026.)

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Evinis Talon é Advogado Criminalista com atuação no Brasil inteiro, com 14 anos de experiência na defesa penal, professor de cursos de mestrado e doutorado com experiência de 13 anos na docência, Doutor em Direito Penal pelo Centro de Estudios de Posgrado (México), Doutorando pela Universidade do Minho (Portugal – aprovado em 1º lugar duas vezes), Mestre em Direito (UNISC), Máster en Derecho Penal (Universidade de Sevilha), Máster en Derecho Penitenciario (Universidade de Barcelona), Máster en Derecho Probatorio (Universidade de Barcelona), Máster en Derechos Fundamentales (Universidade Carlos III de Madrid), Máster en Política Criminal (Universidade de Salamanca), especialista em Direito Penal, Processo Penal, Direito Constitucional, Filosofia e Sociologia, autor de 10 livros, ex-Defensor Público do Rio Grande do Sul (2012-2015, pedindo exoneração para advogar. Aprovado em todas as fases durante a graduação), palestrante que já participou de eventos em 3 continentes e investigador do Centro de Investigação em Justiça e Governação (JusGov) de Portugal. Citado na jurisprudência de vários tribunais, como TRF1, TJSP, TJPR, TJSC, TJGO, TJMG, TJSE e outros.

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