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Evinis Talon

A gestão do tempo na Advocacia

13/08/2017

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Encerrada a graduação em Direito e com a aprovação no exame da Ordem dos Advogados do Brasil – que tem sido tão difícil quanto os concursos públicos de ponta –, muitos acreditam que se inicia uma fase muito mais fácil da vida.

A partir de agora, pensa-se que não é mais necessário virar madrugadas estudando para provas da faculdade. Não há mais avaliação formal, com a atribuição de conceitos (A, B, C…) pela “incrível” capacidade de marcar X nas provas.

Nessa nova rotina, a gestão do tempo passa a ser um problema. Na faculdade, o tempo dedicado a cada atividade era aquele exigido para uma preparação adequada para as provas, assim como o tempo necessário para a elaboração de trabalhos ou da monografia (TCC). Os resultados eram delimitados por prazos.

Por outro lado, na Advocacia, o tempo precisa ser perfeitamente fracionado para que o Advogado se dedique – sem se esquecer de nada – a fazer parcerias, produzir conteúdo intelectual (marketing de conteúdo), estudar por livros de qualidade – conciliando teoria e prática –, dedicar-se a cada processo em que já está atuando, manter contato com os prospectos (potenciais clientes), participar de atividades da OAB e de entidades ligadas ao Direito (excelentes locais para novas parcerias) etc. Também é recomendável continuar os estudos formais, realizando cursos de extensão, pós-graduação, mestrado etc.

Servidores públicos e empregados recebem seus subsídios ou salários em virtude do passar do tempo, não havendo, como regra, remuneração que dependa exclusivamente da produtividade. Por outro lado, o Advogado é remunerado por aquilo que consegue produzir durante o seu tempo, razão pela qual precisa gerir o seu dia pensando preponderantemente nas atividades que lhe geram mais resultados.

Com tantas atividades, a gestão do tempo passa a ser muito mais complicada para o Advogado. É um grande desafio no início da Advocacia, sobretudo porque, infelizmente, o Advogado se vincula à agenda dos Magistrados. Quem nunca foi surpreendido com um repentino agendamento de audiência de réu preso?

Ademais, além das tarefas processuais (elaborar memoriais, resposta à acusação, razões de apelação etc.), o Advogado precisa gerir o escritório, o que exige a dedicação de tempo para cuidar da parte contábil, dos recursos humanos, das finanças etc.

Nessa linha, o Advogado precisa perceber desde o início que o seu êxito profissional depende da sua habilidade para se dedicar ao máximo possível de tarefas que gerem resultado. Para tanto, é fundamental conhecer o princípio de Pareto, o qual afirma que 20% de nossas ações geram 80% dos nossos resultados. Cabe ao Advogado descobrir quais ações geram mais resultados e, por conseguinte, dedicar-se mais a elas.

Contudo, priorizar uma parte da rotina e desprezar o restante pode gerar um desperdício de energia, dependendo do caso. Pior ainda: pode manter o Advogado num ciclo difícil de sair.

Explico: se o Advogado apenas se dedica à atuação nos processos, desprezando o resto (produção de conteúdo, estudos, busca de parcerias etc.), provavelmente não conseguirá elevar seus honorários com o passar do tempo. A ausência de produção intelectual fará com que ele não consiga realizar um marketing de conteúdo que gere autoridade e reconhecimento intelectual. Logo, continuará sendo contratado por meio dos habituais leilões de honorários.

Além disso, deixando de estudar, provavelmente terá dificuldade na formulação de teses defensivas, na alegação de preliminares ou em qualquer momento que exija que o Advogado esteja atualizado e tenha boa base teórica.

Por fim, sem concretizar parcerias relevantes, a prospecção de clientes continuará dependendo da sua ação individual, que, como é sabido, tem limites temporais.

Por outro lado, caso priorize a prospecção de novos clientes e reduza a atenção em relação aos processos em que já atua, é provável que os novos clientes, se o contratarem, apenas substituam os anteriores clientes que, em razão da falta de atenção, ficaram insatisfeitos.

Portanto, na gestão do tempo, o Advogado precisa equilibrar as várias tarefas (andamento de processos, estudos, parcerias, prospecção etc.), privilegiando aquelas que gerem mais resultados na evolução de sua carreira.

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Evinis Talon é Advogado Criminalista (com foco em consultas e pareceres para outros Advogados e escritórios), professor de cursos de pós-graduação, Doutorando pela Universidade do Minho (Portugal – aprovado em 1º lugar), Mestre em Direito (UNISC), Máster en Derecho Penal (Universidade de Sevilha), Máster en Derecho Penitenciario (Universidade de Barcelona), Máster en Derecho Probatorio (Universidade de Barcelona – cursando), Máster en Política Criminal (Universidade de Salamanca – cursando), Máster en Derechos Fundamentales (Universidade Carlos III de Madrid – cursando), especialista em Direito Penal, Processo Penal, Direito Constitucional, Filosofia e Sociologia, autor de 7 livros, ex-Defensor Público do Rio Grande do Sul (2012-2015, pedindo exoneração para advogar. Aprovado em todas as fases durante a graduação), palestrante e investigador do Centro de Investigação em Justiça e governação (JusGov) de Portugal.

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