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Evinis Talon | Advogado Criminalista

STJ: ausência de advogado no interrogatório policial exige prova de prejuízo para anular o ato

27/10/2026

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STJ: ausência de advogado no interrogatório policial exige prova de prejuízo para anular o ato

Em julgamento realizado em 15 de outubro de 2026, a Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), negou provimento ao agravo regimental no RHC nº 237.825/PR, mantendo o entendimento de que a ausência de advertência prévia quanto à faculdade de assistência de advogado durante o interrogatório policial configura, quando muito, nulidade relativa, condicionada à demonstração de prejuízo concreto. No caso, o Colegiado destacou que a advertência prévia do direito ao silêncio foi observada, afastando a alegação de nulidade por violação ao direito à não autoincriminação.

Confira a ementa relacionada:

DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. INTERROGATÓRIO POLICIAL. ADVERTÊNCIA AO DIREITO AO SILÊNCIO. ASSISTÊNCIA DE ADVOGADO. NULIDADE RELATIVA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. AGRAVO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. O recurso. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que negou provimento ao recurso ordinário em habeas corpus. 2. Fato relevante. Prisão em flagrante e denúncia pelos crimes dos arts. 33, caput, da Lei nº 11.343/2006, e 16, parágrafo único, IV, da Lei nº 10.826/2003. Defesa sustenta nulidade do interrogatório extrajudicial por ausência de advertência prévia quanto ao direito à assistência de advogado; Corte estadual denega a ordem ao consignar que houve advertência prévia quanto ao direito ao silêncio e que a prescindibilidade de defensor em interrogatório policial afasta nulidade automática. 3. As decisões anteriores. Em recurso ordinário, a defesa reiterou a nulidade absoluta por inversão de formalidade essencial (CPP, art. 564, IV) e afronta ao art. 5º, LXIII, da CF, postulando desentranhamento do ato e das provas derivadas. Liminar indeferida e parecer ministerial pelo desprovimento. Decisão agravada manteve o entendimento pela inexistência de nulidade, reputando eventual irregularidade como nulidade relativa dependente de demonstração de prejuízo (CPP, art. 563) e destacando que confissão policial é retratável e não basta à condenação (CPP, art. 155). II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 4. Há duas questões em discussão: (i) saber se a ausência de advertência prévia quanto à faculdade de assistência de advogado em interrogatório policial, não obstante a advertência prévia do direito ao silêncio, acarreta nulidade absoluta por inversão de formalidade essencial ou, quando muito, nulidade relativa condicionada à demonstração de prejuízo concreto; e (ii) saber se a confissão extrajudicial obtida na fase inquisitorial pode produzir efeitos sem corroboração por provas colhidas sob contraditório judicial, inclusive quando invocada em alegações finais. III. RAZÕES DE DECIDIR 5. A natureza inquisitiva do inquérito policial torna prescindível a presença de defensor no interrogatório extrajudicial, não incidindo, com a mesma amplitude da fase judicial, as garantias do contraditório e da ampla defesa. 6. O elemento essencial do ato é a advertência prévia do direito ao silêncio, núcleo da proteção contra a autoincriminação (CF, art. 5º, LXIII), observada no caso antes da inquirição, afastando nulidade por violação ao direito ao silêncio. 7. A ausência de advertência prévia quanto à faculdade de assistência técnica, em interrogatório policial, configura, quando muito, nulidade relativa, cuja declaração demanda comprovação de prejuízo concreto (CPP, art. 563), não demonstrado. 8. A confissão prestada na fase policial é retratável em juízo e, isoladamente, não fundamenta condenação, exigindo corroboração por elementos produzidos sob contraditório (CPP, art. 155); a sua invocação em alegações finais não vincula o julgador. 9. A discussão sobre valoração e eventual contaminação de provas é matéria própria do juízo da causa e refoge aos limites cognitivos do habeas corpus e do recurso ordinário correspondente. IV. DISPOSITIVO E TESE 10. Resultado do Julgamento: Agravo regimental desprovido. Tese de julgamento: 1. A presença de defensor em interrogatório policial é prescindível, sendo essencial a advertência prévia do direito ao silêncio. 2. A falta de advertência prévia quanto à assistência de advogado em interrogatório policial gera, no máximo, nulidade relativa e exige prova de prejuízo concreto (CPP, art. 563). 3. A confissão extrajudicial é retratável e, isoladamente, não sustenta condenação, devendo ser corroborada por provas colhidas sob contraditório (CPP, art. 155). 4. A aferição do peso da confissão policial e seu cotejo com a prova judicializada pertencem ao juízo da causa e não se resolvem em habeas corpus. Dispositivos relevantes citados: CF/1988, art. 5º, LXIII; CPP, arts. 155, 563 e 564, IV; Lei nº 11.343/2006, art. 33, caput; Lei nº 10.826/2003, art. 16, parágrafo único, IV. Jurisprudência relevante citada: AgRg no RHC n. 228.335/SP. (AgRg no RHC n. 237.825/PR, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 15/10/2026, DJEN de 27/10/2026.)

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Evinis Talon é Advogado Criminalista com atuação no Brasil inteiro, com 14 anos de experiência na defesa penal, professor de cursos de mestrado e doutorado com experiência de 13 anos na docência, Doutor em Direito Penal pelo Centro de Estudios de Posgrado (México), Doutorando pela Universidade do Minho (Portugal – aprovado em 1º lugar duas vezes), Mestre em Direito (UNISC), Máster en Derecho Penal (Universidade de Sevilha), Máster en Derecho Penitenciario (Universidade de Barcelona), Máster en Derecho Probatorio (Universidade de Barcelona), Máster en Derechos Fundamentales (Universidade Carlos III de Madrid), Máster en Política Criminal (Universidade de Salamanca), especialista em Direito Penal, Processo Penal, Direito Constitucional, Filosofia e Sociologia, autor de 10 livros, ex-Defensor Público do Rio Grande do Sul (2012-2015, pedindo exoneração para advogar. Aprovado em todas as fases durante a graduação), palestrante que já participou de eventos em 3 continentes e investigador do Centro de Investigação em Justiça e Governação (JusGov) de Portugal. Citado na jurisprudência de vários tribunais, como TRF1, TJSP, TJPR, TJSC, TJGO, TJMG, TJSE e outros.

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