Eu não fui um bom aluno de Direito…

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Se fosse possível escolher, o que deveríamos ser: bons alunos ou bons juristas/profissionais? Respeito as opiniões contrárias, mas acredito que são coisas diferentes, que podem ou não coincidir.

Quando cursava a faculdade, acreditava que não deveria ser um bom aluno. Não era essa a minha finalidade. Deveria estar ali apenas na medida necessária para ser um excelente profissional. Se os meus estudos para ser um ótimo profissional me ajudassem a conseguir boas notas nas provas da faculdade, seria – como efetivamente foi – mera coincidência.

A cada vez que alguém me dizia que eu era um bom aluno, passava a matar aulas, fazer provas de segunda chamada e chegar atrasado. Durante o horário das aulas, passava mais tempo estudando sozinho na biblioteca do que sentado na sala de aula. Algumas dessas coisas eram feitas inconscientemente, enquanto outras eram uma tentativa de perder esse rótulo do bom aluno.

Quando um professor começava a contar piadas ou fugia da disciplina, rapidamente eu pegava um livro, colocava sobre a mesa, abaixava a cabeça e começava a ler. Não queria perder tempo. Meu objetivo nunca foi  “cumprir horas-aula”. Aprender – em qualquer lugar – é mais importante do que estar sentado vendo o tempo passar. Cumprir horas-aula é uma formalidade, e formalidades não formam juristas.

Antes de fazer – e passar – (n)a prova de estágio do Ministério Público Federal no início da faculdade, ouvi colegas dizendo que o conteúdo programático era avançado e que deveríamos aguardar os professores lecionarem aquelas disciplinas na faculdade. De fato, ainda não havia estudado – na faculdade – inúmeras disciplinas que cairiam na prova, como Direito administrativo, Processo Penal e Processo Civil (II, III e IV). Felizmente, eu sabia ler e compreender textos…

Quando decidi que passaria num concurso público durante a faculdade, questionei-me acerca das etapas obrigatórias que deveríamos ter na vida acadêmica e profissional. Ouvi colegas dizerem que o  correto é ser um excelente aluno durante a faculdade, fazer um ótimo cursinho depois de graduado e em seguida passar anos estudando para algum concurso público. Precisa ser assim? Quem disse?

Quando passei no concurso para Defensor Público (e depois pedi exoneração – leia aqui), ainda não havia estudado inúmeras disciplinas na faculdade, como Processo Penal, Família e Sucessões. Tive de aprendê-las sozinho. Poderia ter aguardado a ordem correta das coisas, mas o meu objetivo não era conseguir um diploma e apenas depois começar a me preocupar. A faculdade não era o fim, mas sim um dos meios.

O que significa quando digo que a faculdade era um dos meios? É impossível dizer isso sem antes pensarmos nos fins. Quais são os fins de quem pretende estudar? No meu caso, pretendia trabalhar, ser um ótimo profissional, adquirir conhecimentos e, principalmente, desenvolver a capacidade de pensar e criticar. A faculdade ajudaria a consolidar esses objetivos, mas não era o único meio para isso. Ao lado das aulas da faculdade, há inúmeras formas de alcançar essas metas, como os estudos de forma independente da faculdade (sem os quais não teria sido aprovado em nada), as conversas com professores e outros juristas, a realização de estágios, a pesquisa científica etc.

Sempre senti um incômodo ao ver a faculdade como algo suficiente em si. A faculdade não pode ser vista isoladamente, como um fim em si mesmo. Assim como – de forma equivocada – querem tornar o processo penal meramente utilitário, deve-se – de forma correta – atribuir uma utilidade à faculdade que seja maior do que a mera conquista de um diploma.

Por esse motivo, sempre comecei as minhas aulas, principalmente na graduação, dizendo aos meus alunos que, se em algum momento acharem que não estão aprendendo, podem sair imediatamente da minha aula – sem remorso – e ir à biblioteca estudar. Não percam tempo cumprindo formalidades!

Cumprir determinada quantidade de horas-aula é importante, mas atribuir a elas uma qualidade considerável é muito mais relevante.

Sempre ouvimos que “quem faz a faculdade é o aluno”, mas refletimos pouco sobre isso. Aliás, a recíproca não é totalmente verdadeira. A faculdade não faz – totalmente – o aluno, apesar de ter um papel extremamente importante em sua formação. Destarte, acredito que a faculdade seja apenas uma das formas de fazer os alunos e, principalmente, os juristas/profissionais. No mercado de trabalho, especialmente na área jurídica, talvez as notas da faculdade contribuam apenas para conseguir um bom estágio… e mais nada.

Não fui um bom aluno e não quero que meus alunos sejam bons alunos. Quero excelentes juristas e ótimos profissionais! Não quero que concordem cegamente comigo, mas sim tenham a ousadia de questionar as minhas afirmações. Não precisamos de marcadores de x e pessoas que tenham a “incrível” capacidade de permanecerem sentadas durante algumas horas enquanto um professor fala. Necessitamos de ótimos Juízes, Advogados, Defensores, Promotores, Delegados etc. Se esses excelentes juristas tiverem sido excelentes alunos, será uma mera coincidência.


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