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Evinis Talon

Advocacia: reclamar ou trabalhar?

novembro 3, 2017

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Nos últimos tempos, a Advocacia tem sido incessantemente testada.

No caso da Advocacia Criminal, é difícil avaliar se, em algum outro período da história brasileira, ocorreram tantos ataques realizados pelas autoridades públicas e pela mídia (leia aqui). Trata-se de uma verdadeira criminalização da Advocacia. Há um desrespeito sistemático ao trabalho dos Advogados.

O excesso de faculdades de Direito também gera outro problema: um número crescente de Advogados, resultando em uma concorrência cada vez mais acirrada. Aliás, com a liberação dos cursos técnicos em serviços jurídicos (leia aqui), é provável que o mercado fique ainda mais saturado para determinadas áreas do Direito.

Em suma, há um cenário perfeito para que os Advogados passem o dia reclamando. De fato, alguns fazem isso.

É comum ver Advogados reclamando que não conseguem cobrar nem mesmo um valor aproximado da tabela da OAB (leia aqui). Outros reclamam que não conseguem se especializar na cidade onde atuam, porque se trata de município pequeno e que não teria demanda para profissionais especializados (leia aqui).

Há Advogados que reclamam do trabalho realizado pelos colegas, outros reclamam porque percebem jovens Advogados que aparentemente conquista(ra)m uma notoriedade maior e de forma mais rápida do que eles mesmos.

Reclamar resolve algo? Reclamar sem agir é tão produtivo quanto se calar e dormir. Salvo melhor juízo, reclamar nunca resolveu problemas.

Sabemos que o mundo jurídico é tomado pela inveja (leia aqui), talvez até mais do que em outras áreas de trabalho. Não raramente, essas reclamações constituem apenas uma inveja disfarçada de insatisfação pela incapacidade própria ou, pior, por se considerar qualificado, mas perdendo espaço para pessoas menos qualificadas (quem nunca se sentiu injustiçado com o tal do Q.I [quem indica]?).

Assim, o excesso de reclamações pode ser uma busca para encontrar fundamentos que justifiquem o fracasso próprio diante do sucesso – aparente, diga-se de passagem – dos outros. Diz-se, por exemplo, que há muitos Advogados, que a cidade em que atua tem uma cultura diferente em relação à Advocacia (o povo não aceita pagar por consulta, por exemplo), que há muitos profissionais se valendo de meios antiéticos de prospecção de clientela etc. Ao final, conclui: “logo, se meu escritório não está dando certo, não é por culpa minha”.

De qualquer forma, também pode ser um sinal da iminência do fechamento das portas do escritório, o que, infelizmente, tem sido algo frequente. Verdadeiramente, quem muito trabalha tem pouco tempo para reclamar e, se reclama, é pelo tempo suficiente para moldar um plano de ação.

Há muitos Advogados na cidade em que trabalha? Mude-se ou faça algo diferente do que eles fazem. Os outros Advogados não cobram honorários na sua cidade? Então se coloque em um nível tão diferenciado no mercado que você consiga ser o único a cobrar.

Inevitavelmente, enquanto um grupinho estiver reclamando, alguém estará estudando, trabalhando, fazendo parcerias, palestrando, divulgando seu nome… enfim, buscando uma colocação no mercado.

Da mesma forma, ao mesmo tempo em que alguns reclamam quanto ao tratamento dispensado a Advogados, outros denunciam esse tratamento, agem em busca de uma união da Advocacia, representam no CNJ e no CNMP (além das corregedorias) e, principalmente, não permanecem esperando soluções da OAB.

É necessário reclamar menos e trabalhar mais. A zona de conforto atual construirá um cenário (individual e coletivo) incômodo no futuro.

É imprescindível que deixemos de lado esse espírito ranzinza de quem muito reclama e pouco faz.

Assim, se tivesse que deixar uma sugestão aos colegas Advogados, diria: não reclame! Se algo pode ser melhorado, trabalhe (por você e pela Advocacia). O foco mais produtivo sempre foi o trabalho silencioso e paulatino. Reclamações inertes quase sempre refletem uma incapacidade executiva de quem reclama.

Evinis Talon é Advogado Criminalista, consultor e parecerista em Direito Penal e Processo Penal (clique aqui), professor de cursos de pós-graduação, Mestre em Direito, especialista em Direito Penal, Processo Penal, Direito Constitucional, Filosofia e Sociologia, autor de livros e artigos e palestrante.


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