Por que empreender no Direito?

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Muitos leitores me perguntaram qual seria o tema do artigo de hoje, dia do meu aniversário de 29 anos. Alguns perguntaram se, de fato, eu publicaria algo ou tiraria um dia de descanso das publicações, o que não faço há quase 8 meses.

Pois bem. Percebi que alguns leitores queriam algo especial, que tivesse alguma relação com o fato de comemorar meu aniversário.

Dessa forma, suponho que o tema mais ligado a minha vida atualmente e que tem marcado os últimos anos de minha existência é o empreendedorismo jurídico. O primeiro semestre de 2017 foi, sem dúvida, o melhor da minha vida, e o empreendedorismo foi o motivo principal disso.

Na iminência de inaugurar o novo escritório em Gramado, com a contratação de novos associados (as vagas serão lançadas no novo site – clique aqui para acompanhar), sinto que nunca estive tão ligado ao empreendedorismo quanto agora. Aliás, talvez a escolha por Gramado não seja unicamente pela qualidade de vida, mas também pelo ambiente empreendedor e criativo daquela cidade, que exala inspiração e inovação em cada canto.

Empreendedorismo é uma palavra que tem sido vulgarizada,  como se fosse apenas abrir um comércio ou divulgar autoajuda. Aliás, lembro-me de um Juiz que, quando soube do meu pedido de exoneração da Defensoria Pública, perguntou-me se eu abriria um comércio.

Em outros países, o empreendedor é respeitado. No Brasil, em razão de fatos recentes, é confundido com um criminoso ou um corruptor.

Especialmente no mundo jurídico, o empreendedorismo é visto com preconceito. Pensa-se que qualquer ideia empreendedora é antiética, mormente para aqueles que supõem equivocadamente que o empreendedorismo jurídico se resume à Advocacia.

O Direito não possibilita apenas duas opções (Advocacia ou concursos). Muito longe disso! Pode-se empreender no Direito com livros, palestras, cursos, consultorias, marketing de conteúdo, aplicativos etc.

A jornada do empreendedor, inclusive jurídico, é cheia de riscos e dificuldades, sobretudo no início. Quem é aprovado num concurso é visto como um indivíduo de sucesso, mas quem começa a empreender (abrindo um escritório de Advocacia, por exemplo) recebe críticas até que as coisas comecem a dar certo.

Lembro-me, por exemplo, de um ex-colega que, enquanto éramos colegas de instituição, mantinha algum respeito. Quando pedi exoneração, passou a falar aos quatro cantos o seguinte: “Evinis ficou louco, surtou e estragou a vida dele”. Curiosamente, anos depois, enviou-me mensagens pedindo meu livro autografado e dizendo que gostaria de conhecer meu novo escritório para conversar sobre o planejamento para deixar o serviço público. Irônico! Ou será um pretexto para internar compulsoriamente o “louco”?

Quando se começa a empreender, tem-se dificuldade para ter parceiros ou pessoas que acreditem em seus projetos. Com o passar do tempo, felizmente, a conquista de credibilidade e reputação exige que o empreendedor jurídico comece a recusar algumas das inúmeras propostas que recebe.

O empreendedorismo jurídico pressupõe a retribuição – pecuniária ou por meio do reconhecimento intelectual – não pelo tempo dedicado, mas sim pela qualidade daquilo que é feito e pelos resultados obtidos. Empreender não é trabalhar muito, mas de forma inteligente.

O empreendedorismo realiza sonhos. Eu, por exemplo, quando ocupava o cargo público do qual me exonerei, pensava em morar em Gramado quando estivesse na última classe da carreira ou somente depois de me aposentar, perto dos 60 anos de idade e com várias décadas no cargo. O empreendedorismo antecipou esse sonho em três décadas.

O empreendedorismo – mesmo o jurídico – ultrapassa os limites territoriais. Por meio do empreendedorismo, descobri que é possível atuar como consultor jurídico para qualquer lugar do mundo a partir do local em que escolhemos morar. Supera-se,  portanto, a lógica de que um Advogado,  se quiser atuar em processos fora da cidade de sua residência, precisa se deslocar por horas até a delegacia, o fórum ou o presídio de uma outra cidade. Há Advogados que ainda acreditam que seus serviços são distribuídos de acordo com a localização (cidade ou região), e não pelo interesse (independentemente do local).

Ainda como decorrência do empreendedorismo, percebi que as consultorias jurídicas eram a melhor forma de ter uma agenda flexível e que possibilitasse a minha atuação docente, pois se deixa de depender de horários de audiência fixados por um terceiro e se passa a ter plena liberdade para definir o próprio horário.

Em outras palavras, o empreendedor jurídico escolhe o estilo de vida que deseja levar e, em seguida, procura os meios para alcançá-lo. Deixa, portanto, de seguir os modelos tradicionais engessados. Quem não empreende tem a tendência de se amoldar ao ambiente, como se a carreira fosse um mero contrato de adesão. Por outro lado, o empreendedor busca (ou até cria) o ambiente desejado para sua carreira.

Assim, empreender no Direito é instigante por vários motivos: liberdade de horários, retribuição pela capacidade de inovar e obter resultados (e não apenas pelo tempo, que é sempre finito/limitado), possibilidade de escolher onde morar e com quem trabalhar, escalabilidade (buscar mais receita não pressupõe trabalhar mais) etc.


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