Por que alguns têm sucesso (e outros não) no Direito?

– Inscreva-se no meu curso por assinatura (Penal e Processo Penal) até o dia 25/09/17 e participe do sorteio de um exemplar do livro A jornada de um advogado criminalista (com dedicatória especial), além de ter acesso a mais de 21 horas de aula e 50 vídeos: clique aqui
– Fale com o prof. Evinis Talon no WhatsApp (clique aqui)
– Participe do grupo do Whats do prof. Evinis Talon: clique aqui (usando o celular)


banner curso finalizado enviado Evinis




Facebooktwittergoogle_pluslinkedin

Neste texto, alguns trechos, inevitavelmente, terão interseções com três textos anteriores, nos quais abordei 5 fatores que diferenciam os Advogados Criminalistas (leia aqui), os 3 erros que marcam a carreira de um profissional do Direito (leia aqui) e quem dá certo no Direito (leia aqui) Entretanto, pretendo ir além.

A ideia de escrever esse texto surgiu de várias indagações que recebi, especialmente por e-mail, após a publicação do primeiro artigo mencionado acima (5 fatores…). Perguntaram-me se o sucesso na área jurídica demanda apenas construir os fatores jurídico-processuais – e evitar os erros jurídicos – ou se há outros fatores que não se relacionam exclusivamente com a área jurídica e que poderiam determinar o sucesso profissional nessa seara.

O número altíssimo de Advogados, carreiras públicas jurídicas e faculdades de Direito, além das diferenças de perfis, experiências e atitudes, faz com que alguns conquistem seus objetivos no mundo jurídico, enquanto outros permanecem longe de suas metas.

Evidentemente, não parto da premissa de que a ideia de sucesso é idêntica para todos. Alguns querem Advocacia, outros querem concurso, docência etc.

Aliás, até na Advocacia, há diferentes formas de pretensão de sucesso. Há quem queira ter bancas “full service” com dezenas ou centenas de Advogados, administrando como se fosse o CEO de uma grande empresa e tendo pouco contato com processos, teses etc. Por outro lado, também na Advocacia, há quem deseja ter uma boutique altamente especializada com pouquíssimos Advogados, atuando direta e pessoalmente nos episódicos casos em que a banca atua.

De qualquer forma, no mundo jurídico, há vários motivos para algumas pessoas terem sucesso – alcançarem o objetivo – e outras não.

Quando estava na faculdade, ouvia alguns professores dizerem “quem passa em um concurso público menor do que aquele pretendido, dificilmente consegue ser aprovado no concurso desejado depois”.

Constatei que isso era verdade. Conheci pessoas que queriam o cargo X, fizeram o concurso para o cargo Y e, apesar de odiarem o cargo Y, sentiam-se acomodadas o suficiente para não tentarem o cargo X.

Também já vi Advogados que se declararam apaixonados por determinada área, mas, por acharem que não havia mercado suficiente, permaneceram em outra área (da qual nem gostam).

Essa pequena narrativa é para demonstrar que a (in)satisfação com o “status quo” e a (ausência de) sensação de dever cumprido repercutem, inegavelmente, no sucesso que alguns têm e outros não. Sobre esse assunto, recomendo a leitura do meu texto “No Direito, precisamos de sonho e ambição” (leia aqui).

Para alguns, o sucesso depende da capacidade de fazer aquilo que as faculdades não nos ensinam. Aliás, escrevi sobre isso em outro artigo (“9 coisas que não te ensina[ra]m na faculdade de Direito – leia aqui). Ainda no que tange às faculdades, há quem ingresse no curso com o mero objetivo de ser um bom aluno. Por outro lado, quem não quer ser um bom aluno, mas sim um bom profissional (artigo: eu não fui bom aluno de Direito – leia aqui), percebe desde cedo que frequentar aulas não é sinônimo de “sucesso profissional garantido”.

Quase sempre, no Direito – e em carreiras de outras áreas -, a distinção entre ter sucesso ou não depende da capacidade de queimar pontes e não ter como voltar atrás, como descrevi nos textos “Queime pontes: como eu saí da zona de conforto e tomei decisões difíceis” (leia aqui) e “Por que deixei de ser Defensor Público para ser Advogado Criminalista?” (leia aqui).

A capacidade de tomar decisões difíceis e, principalmente, queimar pontes envolve uma boa dose de coragem, sem a qual é impossível “dar certo” na área jurídica.

Antes que alguém pense, o fato de ter tomado algumas decisões difíceis – ou seriam loucas? – como descrevi nos dois textos anteriormente citados não me fazem exemplo de coragem. Na faculdade, inscrevia-me em algumas provas de estágio e faltava no dia da prova. Fiz várias provas de segunda chamada (que, felizmente, não eram recuperação), porque me sentia inseguro para fazer a prova no dia marcado. Em suma, a coragem é conquistada no caminho, e não antes de começar a jornada.

No exercício da atividade, agir de modo covarde também tem muita chance de impedir o sucesso (leia aqui).

O dilema entre concurso público ou Advocacia privada pode ser um dos fatores que fazem com que alguns tenham sucesso e outros não. Escrevi os vários benefícios e malefícios de cada opção em um texto de 2016 (leia aqui).

Na linha desse dilema, encontram-se Advogados que apenas ingressaram na Advocacia após inúmeras tentativas frustradas de obter o tão sonhado – e concorrido – cargo público. Também há ocupantes de cargos públicos que, contrariando o objetivo de fazer a diferença no mundo ou ter a liberdade que a Advocacia proporciona, permanecem em cargos públicos com uma rotina diária quase que totalmente mecânica (assinaturas e carimbos). Neste caso, não me refiro apenas a cargos públicos de nível médio, mas também aos membros de carreiras. Juízes assinam despachos idênticos, Promotores passam o dia se intimando de decisões etc. Como Defensor Público, passei uma tarde elaborando e assinando dezenas (quase uma centena) de petições de juntada.

Para alguns, a escolha da carreira (pública ou privada) já está definida. Para muitos outros, especialmente estudantes de Direito e recém-formados, o dilema é de difícil resolução. Se não fosse assim, aquele texto que mencionei antes não seria um dos mais acessados neste site.

Ainda nessa linha, há quem tem o objetivo de carreira definido, mas não tem poder de execução. Sonha em ter um grande escritório de Advocacia, mas não tenta se tornar conhecido, não busca parcerias e se mantém distante das formas éticas de marketing jurídico, como o marketing de conteúdo. Sobre este tema, escrevi um artigo (“6 dicas para escrever mais rápido e melhor” – leia aqui) para quem tiver interesse em iniciar no marketing de conteúdo.

Entre as inúmeras mensagens que recebo diariamente, há pessoas que demonstram uma competência enorme, mas não dão o primeiro passo. Querem ingressar na Advocacia Criminal, mas acham que é momento de permanecer no escritório de Advocacia Civil em que trabalham. Há quem queira determinados concursos públicos, mas não se inscreve neles. Falta-lhes poder de execução/implementação, que é um dos grandes fatores para algumas pessoas darem certo (e outras não) no Direito. Devemos ser mais empreendedores, apesar da banalidade que a expressão “empreendedorismo” adquiriu nos últimos tempos.

Há quem está mais preocupado em parecer do que ser. Divulgam resultados que não obtiveram, comemoram alvarás inexistentes e sustentações orais que não fizeram. E isto faz dar errado na carreira. Muito errado!

Convivendo com muitos Advogados e membros de carreiras públicas, aprendi que devemos ser antes de parecer. Caso contrário, entramos num ciclo de autodestruição. Se você demonstra que já conquistou o sucesso desejado, acreditará, cedo ou tarde, que já o conquistou. Se já acredita nisso, por que vai se esforçar?

Vi o Flávio Augusto da Silva, fundador da Wise Up, fazer uma excelente explicação sobre isso: a ordem é “to be, to do, to have”. Em primeiro lugar, devemos ser. Em seguida, devemos fazer. Depois disso, podemos ter.

Levando esse raciocínio para o Direito, precisamos ser competentes, agir com competência e, depois disso, podemos parecer/ter.

Não podemos viver de forma automatizada. Quem quer dar certo na seara jurídica – e talvez em qualquer outra – precisa ter ciência do que faz, como faz, o que dá certo, os motivos para ter dado certo, pontos fortes e fracos, resultados até o momento, projeções etc. A frase “deixe a vida me levar” não se aplica aqui.

Trabalhar/estudar no automático é um grande problema para quem quer se destacar (ou “dar certo”) no mundo jurídico. Um dos primeiros livros a me ensinar a fazer esse planejamento estratégico e sair do automático foi o “Estratégia na Advocacia”, da Lara Selem, publicado pela Juruá.

Há Advogados que não sabem qual é a maior fonte de clientes que possuem (site, anúncio, parcerias, indicações etc), não sabendo, portanto, como obter novos clientes. Trabalham no automático…

Também há estudantes, pesquisadores e concurseiros que não pararam por alguns minutos para avaliarem o turno em que rendem mais, se são mais produtivos lendo ou ouvindo, se aprendem mais fichando ou apenas lendo etc. Para eles, recomendo os meus textos “Como estudo(ei) Direito?” (leia aqui) e “A minha rotina diária de estudos (e como consigo cumpri-la) (leia aqui).

Às vezes, o medo de “parecer ridículo” atrapalha bastante. Isso abrange o medo de procurar um grande escritório para uma parceria na Advocacia, de fazer uma prova e ser reprovado, de pedir ajuda para iniciar em alguma carreira etc. Novamente, pensa-se em parecer bom antes de ser bom, o que eleva ao zênite o medo de parecer ridículo.

Alguns não suportam as inúmeras perdas (noites em claro, preocupações, cansaço, isolamento familiar etc. ) que sofremos com os estudos, que são, de fato, necessários para qualquer objetivo que se tenha no âmbito jurídico. Sobre esse assunto, já falei nos textos “O que perdemos com os estudos?” (leia aqui) e “Quem nunca pensou em desistir do Direito? (leia aqui).

Enfim, esses são apenas alguns dos vários motivos em razão dos quais alguns têm sucesso – e outros não – no mundo jurídico. Cabe a cada um identificar o que está fazendo de errado ou deveria fazer corretamente.

Depois de dar os passos certos, dirão que você apenas teve sorte, mas o que parece já não importa mais, não é?


Vídeos quase diários:


Clique na imagem abaixo para ver o curso “Como iniciar na Advocacia Criminal”.

como-iniciar-adv