No Direito, precisamos de sonho e ambição

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Tenho refletido bastante acerca de alguns assuntos: Direito, Advocacia e novos juristas. Sobre esses temas, a minha reflexão não permanece tão restrita à área criminal. Tento entender alguns fenômenos de forma mais ampla.

Analisando o Direito – e a quantidade de pessoas que estão desanimadas com o seu enfraquecimento -, a Advocacia – e os obstáculos àqueles que amam essa nobre atividade – e os novos juristas – que sofrem com a cultura concursal e a quantidade exorbitante de Advogados no país -, considero que duas palavras devem fazer parte do cotidiano de quem pretende viver – não me refiro a apenas existir – da área jurídica: sonho e ambição.

Essas palavras poderiam ser substituídas por outras semelhantes. Poderíamos utilizar meta e esforço, objetivo e dedicação etc. Contudo, preferi “sonho e ambição” porque são palavras normalmente questionadas. Quando alguém fala em sonho, é prontamente corrigido por alguém que diz que precisamos de metas, e não de sonhos. Se alguém diz ser ambicioso, imediatamente é indagado por uma sociedade que tenta nos “manter com os pés no chão”, como se todos tivéssemos as mesmas limitações de vontade. Portanto, pelo aspecto polêmico e contramajoritário, opto por “sonho e ambição”.

Quando falo sobre sonho, refiro-me àquilo que nos move, isto é, o que nos faz ter disposição para enfrentarmos as adversidades diárias. Seria, basicamente, o que queremos alcançar e manter em nossas vidas.

O sonho pode estar ligado à área na qual você pretende atuar com exclusividade. Alguns – como eu – têm como sonho atuar exclusivamente na área penal até o último dia de vida. Querem ler, pensar, escrever e trabalhar unicamente na área que mais amam. Diante desse sonho, buscam meios de concretizá-lo, como a Advocacia – que permite optar livremente pela área de atuação – ou a docência. No caso de concursos públicos, possivelmente teriam de atuar em outras áreas no início da carreira até conseguirem uma lotação que possibilite atuar de forma especializada.

Outro sonho possível não se relaciona especificamente com a área do Direito, mas sim com a vocação e a rotina diária desejada.

Assim, há quem tenha o sonho de empreender e buscar uma remuneração que evolua segundo a qualidade de seus serviços e o seu conhecimento jurídico tangível (livros, artigos, docência etc.), motivo pelo qual opta pela Advocacia. A vontade de ter mais tempo para atuar em cada processo de forma artesanal também é um fator para sonhar com a Advocacia. Sobre empreender no Direito, recomendo o meu artigo “Por que deixei de ser Defensor Público para ser Advogado Criminalista?” (leia aqui).

Outros têm como sonho a redução das desigualdades sociais e a pretensão de dar vez e voz aos mais necessitados, razão pela qual buscam a Defensoria Pública e a construção da estrutura dessa importante instituição.

Muitos têm como sonho o exercício de algum outro cargo público, como o de Juiz(a), Promotor(a) ou Delegado(a) de polícia. Pensam como podem mudar a sociedade por meio da sua atividade diária e, por isso, querem passar muitos anos nesses cargos.

Sobre a escolha entre Advocacia e concursos públicos, recomendo a leitura do meu artigo (leia aqui).

O sonho também pode ser melhorar o Direito brasileiro, que, ultimamente, tem retrocedido legislativamente, fortificado-se jurisprudencialmente e enfraquecido doutrinariamente. Buscar um Direito que seja mais justo é um dos sonhos possíveis. Outro sonho possível e necessário é o de que o Direito, especialmente o Penal, não permaneça na simplificação cotidiana de livros de Direito resumido, desenhado ou simplificado.

Particularmente, acredito que um sonho muito relevante para quem atua no Direito também é lecionar para o maior número possível de pessoas. Felizmente, ensinar é um sonho que muitos têm.

De qualquer sorte, para quem pretende ter um pouco de sucesso no Direito e, principalmente, não sofrer com decepções e desânimos posteriores, o sonho não pode limitar-se a dinheiro e status.

No meu caso, os meus sonhos, essas pretensões intensas que me movem, são manifestados diariamente nos meus artigos. Desejo ajudar a construir um Direito – especialmente Penal e Processual Penal – que se mantenha distante das simplificações desnecessárias. Quero ajudar a fortalecer a Advocacia, atividade que entrei por opção, e não por falta de opção. E pretendo, pela Advocacia e pela docência, ajudar o maior número possível de pessoas, principalmente os jovens juristas.

Quanto à ambição, deve-se lembrar que ela é um fator que pode concretizar os sonhos. Aliás, sonhos sem ambição geram inércia e frustração. Há pessoas que sonham há anos com determinado cargo público, mas não fazem nada para alcançá-lo, por exemplo. Afinal, pensam que a diferença entre “futuro Magistrado” e “Magistrado” é de apenas uma palavra.

Ainda sobre a presença de um sonho sem ambição, há também alguns casos opostos ao relatado anteriormente, isto é, pessoas que ocupam cargos públicos importantes, mas sonham com a Advocacia. Nesses casos, quem tem um sonho sem ambição permanecerá por vários anos imaginando como seria, até que, finalmente, aposente-se e comece a advogar. Dirá por alguns anos que gostaria de advogar, mas também falará sobre a preocupação financeira quanto a pedir exoneração de um cargo público. A ausência de ambição fará com que sonhe com a Advocacia mantendo-se distante dela, ou seja, não buscará estudos posteriores à graduação, tampouco tentará conseguir contatos profissionais. Nessa linha, a inércia quanto à ambição gerará um desconhecimento sobre o que pode ser feito, impossibilitando a realização o sonho.

No Direito, a ambição pode ser buscar diariamente o conhecimento. O conhecimento é algo que, mesmo em doses exageradas, nunca estará em excesso. Tendo a ambição de buscar conhecimento, pode-se concretizar qualquer sonho, pois a informação é a moeda mais importante do século XXI. O conhecimento possibilita a Advocacia, a docência, a aprovação em concursos etc. Acredito que o conhecimento é uma ambição universalmente compatível com qualquer sonho.

A ambição é o instrumento do sonho. Quem sonha com um cargo público precisa ter ambição para alcançá-lo. Caso contrário, não suportará as horas de estudos longe da família, o isolamento durante a época de provas, a insegurança quanto à aprovação e à nomeação etc.

Da mesma forma, quem sonha com a Advocacia necessita de ambição para iniciar e permanecer lutando diariamente pelo seu lugar nesse concorrido mercado.

Aos jovens juristas, questiono se possuem sonho e ambição. Sabem o que querem ou fazem o que outros lhes impõe? Após a definição do sonho, estão dispostos – e são ambiciosos – suficientemente para lutarem até o fim ou mudarão de sonho após os primeiros obstáculos?

Muitos jovens Advogados têm entrado na Advocacia Criminal e, nos primeiros anos, desistem de continuar, apesar de terem dito inúmeras vezes que esse era o sonho de suas vidas. Talvez esse era o sonho deles – e mudar de sonho não tem nada de errado – ou talvez tenham perdido a ambição. De qualquer modo, na busca desse ou de outros sonhos, precisam saber que há muitas pessoas mais experientes que estão dispostas a ombrear com esses jovens juristas e ajudá-los nesse início de trajetória.

Para além de tudo que foi dito, há uma constatação que deve ser feita em relação a todos, juristas ou não: todas as pessoas, neste exato momento, estão travando algum tipo de batalha, seja para alcançar um sonho, seja para evitar um pesadelo. Diante disso, todos nós, juristas ou não, devemos desenvolver um mínimo de altruísmo.


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