6 dicas para escrever mais rápido e melhor

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Algo que me perguntaram num dia desses foi: “como você consegue escrever tanto?”.

Hoje, dia 16 de dezembro de 2016, completo 22 dias seguidos publicando pelo menos um artigo neste site. E não pretendo interromper essa rotina nem tão cedo!

Além disso, nesse mesmo período, escrevi minha coluna semanal (sextas) no Canal Ciências Criminais, com artigos de cerca de 3 páginas.

Também publiquei artigos no Justificando/Carta Capital, assim como em vários jornais impressos. Por fim, estou concluindo os meus próximos livros de Direito Penal.

Em outras oportunidades, escrevi neste site sobre técnicas para ler muitos livros em pouco tempo e gastando pouco (leia aqui) e técnicas para ler mais de um livro por semana (leia aqui). Dessa vez, quero dar algumas dicas que podem auxiliar na produção de conteúdo (TCC, artigos, livros etc.). Algumas dicas não são tão “recomendadas por profissionais”, mas eu as sigo assim mesmo.

 

Antes de tudo, por que escrever?

Essas técnicas que aplico na minha rotina e explicarei a seguir são úteis para todos que precisam escrever.

Quem está se formando em Direito terá de escrever o tão intimidador trabalho de conclusão de curso (TCC).

Após formado e no exercício da advocacia, deve-se produzir conteúdo continuamente, pois meros anúncios não diferenciam os profissionais. Verdadeiramente, é a produção acadêmica que demonstra a capacidade intelectual do advogado. Daí a importância de continuar escrevendo e produzindo conteúdo autoral.

Por fim, também são úteis para quem, sendo advogado ou concursado, necessita escrever peças mais aprofundadas (memoriais, razões de recursos etc.).

 

DICAS

1. Escreva somente sobre assuntos que você domina.

No início, principalmente na faculdade, cheguei a escrever sobre Direito Civil, Direito do Consumidor e outras disciplinas. Contudo, cada texto demorava uma eternidade para ficar pronto.

Tempos depois, comecei a escrever somente sobre Penal, Processo Penal e Constitucional, áreas em que atuo, leciono e dedico as minhas leituras com maior foco. O resultado: passei a escrever muito mais rápido, em maior quantidade e – acredito – com maior qualidade.

Assim, percebi que, por mais atraentes que outras disciplinas possam parecer, o ideal é escrever apenas sobre as disciplinas que dominamos, aquelas sobre as quais temos mais conteúdo.

A facilidade para escrever e a velocidade da escrita estão intimamente ligadas ao assunto sobre o qual escrevemos. Nesse sentido, evite escrever sobre temas que lhe são alheios.

Uma das coisas que sempre faço ao imaginar um tema de artigo é pensar quais foram os livros e artigos que já li sobre aquele assunto. Se foram poucos, penso em outro tema.

 

2. Use o Google Drive.

O Google Drive é o melhor aplicativo para quem não quer deixar “ideias voarem”, principalmente pela possibilidade de sincronização entre notebook, smartphone, computador pessoal, computador do trabalho, tablet e todos os outros dispositivos que você utilizar

Quando começo a escrever um artigo, meu subconsciente fica focado naquele tema. Enquanto faço atendimento a clientes ou me desloco a algum lugar, a minha mente continua pensando no artigo, mesmo que eu não me esforce para isso.

Em seguida, quando menos espero, surge alguma ideia interessante ou uma relação de ideias que eu ainda não havia imaginado. Nesse momento, pego meu smartphone e coloco a ideia no Google Drive. Dessa forma, enriqueço meus textos com ideias aleatórias que tenho durante outras atividades. Quando volto a escrever, já tenho umas 4 ou 5 ideias no Google Drive, cada uma gerando 2 ou 3 parágrafos.

O Google Drive também é excelente para quem deseja escrever enquanto espera em filas de banco, espera de consultórios ou aguarda o início das audiências. De pouco em pouco, forma-se um artigo ou um TCC.

Por fim, a função de escrita por voz do Google Drive permite que você, falando no seu smartphone, redija textos enquanto caminha, malha ou dirige. Essa função transforma em texto escrito tudo que você fala. Seguindo esse método, já “escrevi” mais de 5 páginas em 30 minutos enquanto simplesmente andava numa esteira.

 

3. Escreva várias coisas simultaneamente.

Essa é uma das dicas que muitos escritores não recomendam. Dizem que o foco deve ser escrever uma coisa por vez, ou seja, apenas passar para o próximo texto depois de concluído o atual.

Prefiro escrever vários artigos ao mesmo tempo. Neste exato momento, por exemplo, tenho 9 artigos iniciados, 3 colunas do Canal Ciências Criminais com alguns parágrafos e 7 livros em fase de elaboração, alguns com 5% de texto, outros com 95%.

Saliento, por oportuno, que não estou falando de escrever, no mesmo minuto, várias coisas ao mesmo tempo, mas sim de estar escrevendo, paulatinamente, vários artigos. Durante cada redação, evidentemente, a atenção deve ser voltada apenas para aquilo que você está escrevendo, o que não significa que você precisa terminar de escrever um artigo para começar outro.

Se você não tem uma obrigação imediata e urgente, como um TCC, essa é, na minha opinião, uma técnica muito efetiva.

Aqui, é fundamental conciliar essa técnica com a nº 2, ou seja, utilizar o Google Drive para inserir ideias aleatórias surgidas no dia a dia.

Esse método permite que você amadureça as ideias e os fundamentos do seu texto, passando por diálogos internos que tentam tornar “ridículo” aquilo que você escreveu. Dessa forma, eu publico um artigo por dia, mas levo alguns dias escrevendo vários artigos ao mesmo tempo. Creio que isso me possibilita fortalecer os fundamentos e me tornar mais íntimo do assunto de uma forma que eu não conseguiria se começasse a escrever e publicasse o texto no mesmo dia.

Por fim, essa técnica somente funciona se você seguir à risca a dica nº 1, escrevendo somente sobre as poucas disciplinas que você domina. Normalmente, escrevo artigos simultâneos sobre Penal e Processo Penal.

Se fosse para escrever artigos de disciplinas com diferenças gritantes entre si (Civil, Trabalho e Penal, por exemplo), faria um por vez.

 

4. Deixe o computador sempre ligado.

Talvez essa também seja uma dica não muito recomendada, mas é uma das mais poderosas dicas de escrita.

Eu deixo o meu notebook sempre ligado e com um arquivo do Word ou do Google Drive aberto. Quando passo por ele na minha mesa do escritório ou na biblioteca da minha casa, fico com vontade de escrever, ainda que algumas poucas linhas.

Há um fundamento técnico para isso!

Existe uma teoria de produtividade chamada de explosão solar (“solar flaring”). Como sabemos, as explosões solares começam muito pequenas, mas ganham intensidade até se tornarem algo intenso e impactante.

Pois bem. Por essa teoria, se você quiser ser mais produtivo e evitar a procrastinação, precisa dar o primeiro passo, por mais simples que ele pareça. Depois de dar o primeiro passo, você terá maior incentivo para continuar executando aquela tarefa aparentemente complexa.

No meu caso, para evitar a procrastinação na produção acadêmica, dou o primeiro passo, qual seja, deixo o computador ligado e com um editor de texto aberto. Os próximos passos (sentar, pensar, digitar, revisar…) ficam mais simples depois desse primeiro passo.

 

5. Estruture por tópicos antes de começar a redigir o texto.

Quando quero escrever algo mais técnico e detalhado, não redijo diretamente. Antes de tudo, faço um roteiro com palavrar curtas, como se fossem subtítulos ou tópicos.

Assim, um roteiro em que analiso determinada decisão do STF ficaria assim:

– O que foi decidido?

– Quando e por quem foi decidido?

– Fundamentos dessa decisão.

– Histórico do STF sobre esse assunto.

– Decisões de outros tribunais no mesmo sentido.

– Decisões de outros tribunais em sentido contrário.

– Minha crítica geral.

– Minha crítica quanto ao fundamento 1.

– Minha crítica quanto ao fundamento 2.

– Conclusão ou fechamento com frase de efeito.

Por outro lado, quando redijo opiniões gerais, com o meu texto sobre termos 1 milhão de advogados no Brasil (leia aqui), prefiro redigir diretamente, como se estivesse falando.

Depois de feito o roteiro, começo a preencher cada tópico com o texto correspondente. Havendo essa divisão, não há necessidade de escrever por ordem, do início para o fim. Você pode escrever conforme as ideias surjam.

 

6. Leia muito antes de escrever.

Essa dica tem uma relação enorme com a dica nº 1. Contudo, a necessidade de leitura, da forma como exponho aqui, é algo de médio ou longo prazo.

O que isso significa?

Depois que você escolhe sua área de produção científica, deve começar a catalogar o máximo possível de conhecimento referente a ela.

– Faça fichamento dos livros que você ler: é importante catalogar trechos de livros e artigos para que você possa usá-los posteriormente. Recomendo que, depois de ler e marcar (com lápis ou marca-texto), você faça fichamentos dos trechos marcados, ou seja, copie em seu computador o texto literal que você destacou no livro.

– Salve artigos de terceiros no seu computador: sou extremamente organizado quando se trata de conteúdo acadêmico. Criei no meu notebook uma pasta de Penal e outra de Processo Penal. Dentro da pasta de Processo Penal, criei algumas dezenas de pastas: “provas”, “sentença”, “nulidades”, “recursos”… em cada pasta eu coloco o artigo correspondente. Se um artigo é sobre nulidade da sentença, insiro nas pastas “nulidades” e “sentença”. Isso facilita muito para escolher os temas e para ter pontos de partida.

– Anote questionamentos sobre tudo que você ler: cada questionamento que você anotar pode gerar um artigo ou um capítulo. Na primeira oportunidade em que li sobre o crime de perjúrio, por exemplo, anotei ao lado “e o direito ao silêncio?”. Tempos depois, olhei meus questionamentos sobre alguns assuntos e vi essa anotação. Comecei a pesquisar e percebi que havia um projeto de lei na Câmara criminalizando o perjúrio. Assim, já sabia sobre o que eu falaria e qual seria a crítica que faria.

– Mantenha o foco de leitura na sua área: leia outras áreas, mas dedique-se diariamente a ler sobre a área sobre a qual pretende escrever.

– Persista e crie rotinas: há uns 5 anos eu leio diariamente todas as notícias de Penal e Processo Penal dos sites do STF, STJ, Senado, Câmara, Conjur, Migalhas, TJRS e TRF4. Além desses, vejo aleatoriamente outros sites de outros tribunais ou revistas. Ter criado essa rotina e persistir nela por tanto tempo me possibilitou maior facilidade para escrever sobre essas áreas.

 

Dica extra: recomendo a leitura do livro “Como se faz uma tese”, do Humberto Eco. É um livro fundamental para quem deseja escrever textos mais profundos e específicos.

Obs.: em breve escreverei sobre temas de artigos e trabalhos de conclusão de curso na área Penal.


Vídeos quase diários:


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